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  • Daniela Moniwa

Elas há nasceram livres


Se você usou o buscador do Google ontem, deve ter visto um doodle interativo em homenagem a Frank Zamboni, o inventor da máquina reparadora de gelo, pouco popular por aqui, mas muito útil em jogos de hóquei e em pistas de patinação no gelo. Essa é só uma das versões geniais que o Google criou para homenagear aniversários, feriados, datas comemorativas ou relevantes. Enquanto para muitas empresas, essas mutações no logo seriam impensáveis, para o Google o doodle evidencia a personalidade criativa e inovadora da própria companhia.

A verdade é que em um mundo cada vez mais digital e dinâmico, muitas empresas já perceberam que é legal manter suas marcas longe das grades, permitindo centenas, milhares e até infinitas composições de logo e elementos gráficos. Veja alguns exemplos legais:

Vale lembrar que o que hoje é tendência começou a ganhar notoriedade com a MTV, que lá em 1981 já apresentava uma marca cheia de possibilidades. Pat Gorman trabalhou na criação da identidade que, para ele, “mudou a cara, a ideia e a velocidade do design gráfico”. Hoje, muitas outras marcas utilizam o mesmo recurso, como uma maneira de deixar evidente a personalidade dinâmica e inovadora de cada uma delas.

Tá, mas e na hora de partir para a mídia impressa? Será que marcas com muitas versões não dificultam o processo?

A verdade é que algumas são tão flexíveis que conseguem se adaptar tanto no mundo digital como no mundo impresso. É o caso da Oi, MIT Media Lab, Ci – Central do Intercâmbio e Olímpiadas de Londres 2012.

Outras marcas, porém, foram claramente construídas para reinarem absolutas no universo digital. É o caso da DC Comics. O “D” se sobrepõe e se descola do “C”, revelando a identidade secreta por baixo das máscaras. A marca brinca com versões brilhantes – como, por exemplo a que faz alusão ao Lanterna Verde – ou cheia de efeitos. Ainda assim, a versão mais simples da marca não ficou de fora e vem impressa nas capas dos quadrinhos da empresa.

Aqui na Interbrand, já criamos marcas cheias de vida, que se libertaram das grades para inspirar infinitas possibilidades. Espaço Itaú de Cinema e do iba, e-commerce da editora Abril, são duas delas:

Mas será que marcas que mudam são sempre bem-vindas?

A verdade é que no mundo das marcas é muito difícil definir o certo e o errado. Assim, o importante é apresentar um logo que defina a sua personalidade, propósito e essência. Se isso significa ter várias versões e aplicações, que assim seja. É bonito, inspirador e menos cansativo.

Por Daniela Moniwa, designer que escreveu seu TCC sobre marcas mutantes e Fernando Andreazi, consultor de identidade verbal.

{Texto originalmente postado no blog da Interbrand}


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